Publicado por: blogdatatinha | abril 1, 2010

George Harrison

Olhos escuros, rosto alongado, expressão profunda. Desde criança George Harold Harrison tinha esse ar grave, misterioso, depois realçado pela descoberta da meditação transcendental e pelo encontro definitivo com o misticismo oriental. Introspectivo, normalmente calado, George tinha, no entanto, tiradas que desarmavam o ouvinte, reveladoras de um humor no mínimo peculiar. Quando a polícia deu uma batida em sua casa, ele informou sarcasticamente: “Sou um cara organizado: guardo as meias na caixa de meias e as drogas na caixa de drogas”. Era tímido também, de uma timidez que podia se confundir com arrogância, mas que, na verdade, escondia boa dose de autoconfiança.

George desafiava as regras e usava a gravata ao contrário, um topete moldado com muita brilhantina e sapatos de camurça azul, os blue suede shoes do ídolo Carl Perkins. Matava as aulas para fumar nas esquinas e sonhar com o rock’n’roll de Elvis Presley, que ouviu na casa de um amigo. O filme da sua vida estava para começar.

Foi com esse mesmo amigo que começou a tocar violão religiosamente e fundou a sofrível banda The Rebels, com apenas 14 anos. Chegaram a se apresentar ao vivo, por um caneco de cerveja cada. Segundo o então parceiro Arthur Kelly, George já era capaz de tocar as passagens mais difíceis, tal como os grandes guitarristas da época. Foi nesse momento que conheceu Paul McCartney no ônibus que ia para a escola. Apesar de Paul ser mais velho, ficaram logo muito próximos, até que George foi convidado a assistir uma apresentação dos Quarry Men.

Início e fim dos BeatlesJohn Lennon, o líder do grupo, não ficou muito impressionado com aquele colegial franzino de olhar espantado. Mas bastou que George tocasse uma música para que o líder se convencesse e o “contratasse”. Com o tempo, os Quarry Men ganharam asas e tornaram-se os Beatles, fazendo shows todas as noites, a base de entusiasmo, talento e anfetaminas.

Em 1966, foi com a mulher, a modelo Pattie Boyd, para a Índia, onde ficou hospedado na casa de Ravi Shankar, a quem conhecera numa festa dada pelo diretor e ator Peter Sellers. Iniciaram uma amizade que seria responsável em grande parte pela popularização da cultura indiana no Ocidente. Shankar não apenas lhe ensinou a tocar cítara, como foi decisivo na conversão espiritual do amigo. Foi depois desse encontro iluminador que os Beatles foram à Índia meditar sob os auspícios de Maharishi Maheshi Yogi, um guru de longos cabelos, barbas brancas e sorriso curioso.

A ioga, as batas, os incensos e o I-Ching também faziam parte desse novo universo místico de Harrison. Foi quando abriu o livro milenar ao acaso e bateu os olhos na frase “gentle weeps” que teve a inspiração para compor uma de suas melhores canções com os Beatles. A gravação de While My Guitar Gently Weeps não foi tão simples, porém. Dos quatro George talvez fosse o mais perfeccionista. Buscava não apenas a beleza harmônica, mas um tipo de revelação através da música. Havia certo descaso com suas composições, contudo – George era, afinal, o caçula. Insatisfeito com a gravação, ele insistiu com o produtor George Martin e refez a canção do jeito que queria, incluindo a participação tornada mítica do amigo Eric Clapton.


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